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Como as empresas enxergam o design?

8 de Abril de 2018

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Como as empresas enxergam o design?

8 de Abril de 2018

Olá pessoas, tudo bem?

Por que algumas empresas pensam em design apenas como algo decorativo? Quando os gestores vão entender que o design deve fazer parte da estratégia e ajudar a solucionar problemas?

Sempre me faço essas perguntas depois de alguma reunião em que, por mais que explique as razões de escolha de cores e disposição de elementos na interface, o projeto sofre alterações por simples gostos pessoais. Que se dane a pesquisa com o público alvo. O que vale é a opinião do chefe, do cliente, do filho do cliente, da esposa do cliente, do papagaio do cliente e por aí vai…

teste mobile sendo realizado. Há um protótipo mobile na parede, enquanto o teste é feito também no smartphone

A opinião do cliente, por não ser designer, você até compreende por mais esdrúxula que seja. Cabe ao profissional explicar os motivos que o levou a aquele resultado final. O pior é quando os membros da equipe não dão a importância devida ao design no projeto.

O design é acionado apenas em determinada etapa do processo, apenas para deixar a coisa mais “colorida”. Em algumas empresas, os termos usabilidade, experiência do usuário, UI, interação, soam como outro idioma. Esse tipo de empresa é a base de entrada para a maioria dos designers no mercado. São poucas as empresas que pensam no design de maneira estratégica.

Algumas delas ainda dão alguma atenção a equipe de design oferecendo cursos de aperfeiçoamento, por exemplo, mas as decisões sempre ficam nas mãos dos gerentes, da área de marketing e da área de vendas. Decisões essas que seriam muito mais assertivas se o time de design fosse ouvido.

Quantas vezes a área de marketing tem ideias mirabolantes, imaginam várias peças, elaboram os textos e quando chegam no designer para solicitar a criação, ouvem a opinião do designer e chegam a conclusão de que a grande maioria das peças são inúteis ou que seria mais assertiva a criação de outro tipo de peça? Por que não acionaram o time de design desde o início para decidirem juntos?

Falta de investimento EM design

A grande maioria dessas empresas não possui interesse em aperfeiçoar os designers. Para elas, o designer é acionado apenas quando a batata está assando. Todo designer precisa se aperfeiçoar constantemente. Por mais que existam materiais e conteúdos que podem ser encontrados facilmente na internet, nada melhor do que fazer cursos com credibilidade no mercado. Aprender com profissionais mais experientes e trocar ideias é fundamental. Pedir para o colaborador assistir tutorial na internet é econômico para a empresa, mas contribui muito pouco para o aperfeiçoamento da equipe.

grupo sentado em uma mesa observa a tela de um notebook com interesse

Infelizmente, falta a consciência da importância do design dentro do fluxo de trabalho na maioria das empresas. Outro fator preocupante é que a maioria dos líderes das equipes de design NÃO são designers. Funções especialistas? Nem pensar! Se o designer souber criar identidade, peças gráficas, interface e codificar é melhor (e mais barato) para essas empresas. O que é triste nesses gerentes NÃO designers é que eles dão mais ouvidos a outras pessoas do que aos próprios membros da equipe. Sabe por que? Porque eles não acreditam que a real função do designer é solucionar problemas.

Precisamos falar de Briefing

Por existirem empresas que não pensam no design de mateira estratégica, elas nem incluem o time de design na elaboração do briefing. Esse tema merece um artigo exclusivo, que farei em breve. Por não pensarem no design, eles são chamados apenas quando o projeto está definido, apenas para dar o toque final (ou aquele “tchan”, como já ouvi). Algumas das atribuições do designer é ter ideias, convencer pessoas e, principalmente, mostrar as vantagens do design para os gerentes da empresa. Por isso, não adianta elaborar um briefing sem saber a importância dos aspectos estratégicos do design.

Segue um trecho do livro Briefing: A gestão do projeto de design, de Peter L. Phillips, em que ele fala do nível dos participantes na elaboração de um briefing:

Muitos escritórios de design empregam especialistas em negociação ou gerentes de projeto, que não são propriamente projetistas. São eles que elaboram os briefings junto com os demandantes. Nada tenho contra isso, desde que os mesmos conheçam design, o seu processo de trabalho e as informações que os projetistas necessitem. Já encontrei gerentes muito eficientes nas negociações e na coordenação dos trabalhos de projeto. Contudo, alguns negociadores entendem pouco de design. Na minha opinião, colocando-se esses intermediários entre os demandantes e a equipe de projeto, podem surgir mal-entendidos, prejudicando os trabalhos. De preferência, os designers deveriam ter contato direto com aqueles que demandam os seus serviços, sem recorrer a intermediários.

Briefing sem a participação da equipe de design é perda de tempo, pois quem tem contato direto com o cliente não possui conhecimento de design e a grande maioria não se interessa em saber, pelo menos, uma pequena parte do processo. Então, acontece o que todos os designers já sabem: falta de informações, não solicitam os materiais necessários, passam prazos absurdamente curtos, entre outras deficiências.

Será que existe alguma empresa no Brasil que enxergue o design como elemento fundamental em todos os projetos? Sei que algumas se esforçam, mas posso arriscar a dizer que ainda falta muito para chegarem nesse estágio.

Seria um sonho?

Cya!


Leitura recomendada: Briefing: A gestão do projeto de design, de Peter L. Phillips

Hellen Teixeira

Escorpiana, flamenguista, amo música e desconfio de quem faz coraçõezinhos com as mãos. Sou designer web com formação em Análise de Sistemas. Conheça um pouco do meu trabalho em: hellenteixeira.com.

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